A maioria dos empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram, pela terceira vez, a proposta do banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), em assembleias realizadas na segunda-feira (21) e optaram pela continuidade da greve, que já dura 14 dias. No Rio Grande do Sul, 24 bases filiadas à Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS) votaram pela rejeição da proposta apresentada pelo banco, enquanto 14 aprovaram o texto.
A proposta recusada previa o aumento do teto de custeio do Saúde Caixa para 9% da folha sem cobrança por idade, congelamento de mensalidades em 2026, fim da trava do Alcance.Caixa para a Promoção por Mérito e isenção de punições no Figital em 2026.
De acordo com Lucas Cunha, representante da Fetrafi-RS na Comissão dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), a grande rejeição representa a insatisfação dos colegas com a proposta e com os avanços obtidos até aqui. “Precisamos retomar as negociações para construir algo que caminhe na direção das reivindicações que os colegas estão apontando como prioridade para o fechamento do acordo”, avalia o dirigente.
O Comando Nacional informou a decisão ao banco e convocará reunião para deliberar sobre os próximos passos.
Histórico da mobilização
O movimento começou a ganhar corpo com a paralisação do dia 20 de agosto. Segundo Lucas, o engajamento acumulado nos últimos anos e o debate sobre temas centrais foram fundamentais para fortalecer o movimento.
“O movimento sindical vem trabalhando a comunicação e a mobilização há algumas campanhas, e os colegas entenderam a necessidade de se engajar, especialmente em relação ao Saúde Caixa. Como a Caixa não trouxe respostas efetivas inicialmente, a categoria compreendeu que era preciso ir além para alterar as propostas da empresa”, contextualiza o representante da CEE/Caixa.
O caminho até aqui foi marcado por momentos de tensão. Após as primeiras rejeições da categoria em assembleias, a direção da Caixa chegou a ameaçar levar a negociação para dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), postura classificada como “inadmissível” pelas representações sindicais.
No entanto, a resposta das bases veio com o prosseguimento da greve. A firmeza dos trabalhadores forçou o banco a rever a posição, revogar as ameaças e sentar novamente à mesa para repactuar os termos.
“Os empregados deixaram claro que não aceitariam esse tipo de ameaça, e foi fundamental que a empresa reconhecesse isso para retornar à mesa. É exatamente o que esperamos, pois queremos concluir essa campanha mantendo a negociação aberta”, observa Lucas.
Para a representação dos trabalhadores, o sucesso da paralisação marca a vitória da unidade da categoria.
“O grande recado é que, mais uma vez, quando os empregados entendem que a pauta é relevante para todo o conjunto, eles se unificam para mudar o resultado da sua história. Isso traz uma mudança de paradigma para a empresa quando ela quiser impor alterações significativas na vida dos trabalhadores. Os empregados da Caixa sabem o seu valor, cobram respeito e demonstraram que estão prontos para se mobilizar coletivamente diante dos desafios”, concluiu Lucas.
Texto: Thayssa Kruger/Fetrafi-RS
Foto: SindBancários de Porto Alegre e Região