
SANTANDER LUCRA R$ 15,6 BILHÕES EM 2025, MAS FECHA QUASE 6 MIL POSTOS DE TRABALHO
O Banco Santander registrou lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, com crescimento de 12,6% em relação a 2024, segundo levantamento do Dieese com base nas Demonstrações Financeiras do banco. No 4º trimestre de 2025, o lucro atingiu R$ 4,086 bilhões, o maior resultado trimestral dos últimos quatro anos, de acordo com relatório divulgado pela própria instituição.
O retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado ficou em 17,6%, impulsionado, entre outros fatores, pelo avanço das comissões (+4,3%), com destaque para cartões, seguros e administração de recursos. No cenário global, o Santander registrou lucro recorde de € 14,101 bilhões, com crescimento de 12,1%, e o Brasil respondeu pelo segundo maior resultado do grupo, somando € 2,168 bilhões, atrás apenas da Espanha.
Apesar dos resultados expressivos, o banco seguiu aprofundando a redução de sua estrutura operacional. Em doze meses, a holding Santander encerrou 2025 com 49.661 empregados, após o fechamento de 5.985 postos de trabalho, sendo 2.086 cortes apenas no último trimestre. Além disso, 1,6 mil trabalhadores foram transferidos para a SSD, empresa do grupo, como parte da estratégia de reorganização interna.
A rede física também foi fortemente impactada. Em um ano, o banco fechou 579 pontos de atendimento, entre lojas e PABs. Segundo dados do Banco Central, o número de agências físicas caiu de 2.430 em dezembro de 2024 para 1.695 em dezembro de 2025, uma redução de 735 unidades.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários, Luiz Cassemiro, os números escancaram a contradição entre os lucros crescentes do banco e o desmonte de sua estrutura de atendimento e de empregos. “O Santander voltou a anunciar lucro bilionário, mais de R$ 15 bilhões em 2025. Enquanto isso, quase 6 mil postos de trabalho foram fechados e centenas de agências desapareceram do mapa. Ou seja, o lucro cresce, mas o emprego diminui e as condições de trabalho pioram. Essa política não afeta apenas os funcionários. Ela também atinge diretamente as comunidades. Muitos clientes pagam tarifas altas de manutenção de conta, mas quando precisam de um atendimento presencial para resolver um problema, são obrigados a se deslocar quilômetros até outra cidade ou bairro porque a agência local foi fechada”, afirmou Cassemiro
Enquanto reduz postos de trabalho e fecha unidades, o banco segue ampliando sua atuação financeira. A Carteira de Crédito Ampliada do Santander alcançou R$ 708,2 bilhões, com alta de 3,7% em doze meses. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 2,0%, somando R$ 23,023 bilhões, enquanto as despesas de pessoal mais PLR totalizaram R$ 12,429 bilhões, valor coberto em 185,2% pelas receitas secundárias do banco.
Na avaliação de Cassemiro, esse modelo evidencia uma lógica que prioriza exclusivamente os resultados financeiros, em detrimento do papel social do banco e da qualidade do atendimento prestado à população. “É uma contradição evidente: o banco lucra cada vez mais com tarifas, serviços e crédito, mas reduz a presença física, demite trabalhadores e abandona regiões inteiras sem atendimento adequado. Essa lógica de priorizar apenas o lucro, sem responsabilidade social e sem respeito aos trabalhadores e clientes, enfraquece o papel do banco nas comunidades, precariza o atendimento e aumenta a pressão sobre quem permanece trabalhando. É um modelo que beneficia apenas os resultados financeiros, mas ignora as pessoas que constroem esses números todos os dias”, concluiu o dirigente sindical.
Contraf-CUT