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O número de greves no Brasil somou 2.050 em 2013, recorde da série histórica do Dieese, depois de um período de certo refluxo nos anos 2000 e o pico verificado no período imediatamente anterior. O maior número até então era de 1989 (1.962 greves). Em relação a 2012, houve crescimento de 134%. As paralisações mobilizaram aproximadamente 2,017 milhões de trabalhadores. |
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“No setor privado, as greves dos trabalhadores dos serviços ganharam maior importância. No setor público, tanto entre os servidores da administração direta como entre aqueles das empresas estatais, o destaque foi a crescente incorporação dos funcionários dos municípios”, diz o Dieese. “Houve uma expansão das mobilizações grevistas em categorias diversas daquelas já tradicionalmente mobilizadas – sem que, no entanto, essas categorias já habituadas à paralisação de suas atividades tenham deixado de cruzar os braços”, acrescenta o instituto. “É possível, inclusive, tratar desse movimento como uma espécie de ‘desbordamento’, uma expansão do centro para a periferia, um movimento em duas etapas em que o reforço da agitação do núcleo (isto é, o incremento das greves deflagradas por metalúrgicos, por trabalhadores da construção, por bancários e por servidores das redes de Educação e Saúde, categorias usualmente dispostas à mobilização) observado em 2012, passa a dirigir-se para outros segmentos (trabalhadores da indústria da alimentação, da limpeza urbana, vigilantes privados e funcionários das redes municipais de segurança pública, categorias em que as mobilizações eram, até então, mais raras, ou mais difíceis de serem empreendidas.” O Dieese também destaca a presença de “itens defensivos”, por manutenção de direitos, e o maior número de greves de duração mais curta, “com um grande crescimento das paralisações de advertência”. Das 2.050 greves, pouco mais da metade (1.106, ou 54%) ocorreram no setor privado, um aumento de 138% ante 2012. As paralisações em empresas estatais saltaram de 29 para 137, alta de 372%. Mas o total de horas paradas foi maior na área pública do que no setor privado, embora a participação no primeiro caso tenha caído de 75% para 69%. As greves no ano passado tornaram-se mais curtas – em 2013, quase metade (49%) das paralisações terminou no mesmo dia em que começou. O total de greves com duração superior a dez dias recuou de 28%, em 2012, para 16%. E as paralisações com até 200 grevistas representaram 45% do total, embora tenham reunido só 2% dos trabalhadores parados. Reajuste salarial continuou sendo a principal reivindicação, mas caiu de 41% para 36%. As demandas relacionadas à alimentação ficaram em segundo lugar, com 27% nos dois anos. Em terceiro, o pedido de melhores condições de trabalho foi de 15% para 21%. No setor público, destaca-se também a reivindicação de contratações e cumprimento (ou implementação) de planos de cargos e salários. As paralisações consideradas propositivas – em que se busca ampliação de direitos – passaram de 64% para 57%, enquanto aquelas com reivindicações defensivas subiram de 67% para 75%. “Somente entre as greves do funcionalismo público há, entre 2012 e 2013, um aumento da participação das greves propositivas. Por outro lado, o incremento do caráter defensivo das greves foi grande nas empresas estatais (e um pouco menor na esfera privada”, informa o Dieese. *Rede Brasil Atual |