Trabalhadores(as) protestam contra os juros altos do Banco Central

Representantes de trabalhadores e trabalhadoras de vários setores públicos e privados protagonizaram um ato público ao meio-dia desta terça-feira (12/12), em frente ao prédio do Banco Central (BC), no centro de Porto Alegre. A intenção é informar à população que as altas taxas de juros praticadas pelo BC estão atravancando o crescimento da economia e consequentemente a geração de novos empregos.

Isis Garcia Marques, diretora da Fetrafi-RS secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, disse que não se pode normalizar uma prática que faz com que aqueles que vivem de renda não produzam nada e ganhem em cima do esforço dos(as) trabalhadores(as). “O compromisso do Banco Central deveria ser o de promoção do bem-estar social, através de uma política monetária justa. Essa política rentista só beneficia o mercado financeiro”, ressaltou.

Para Sérgio Hoff, diretor da Fetrafi-RS, é muito importante que os(as) trabalhadores(as) fiquem atentos(as) para pressionar e cobrar do Banco Central a redução da taxa de juros, que só beneficia os rentistas, na medida em que tira o dinheiro que poderia ser injetado na economia País e coloca no capital estrangeiro. “Temos que derrubar Campos Neto [presidente do BC], desarticular o movimento golpista e acabar com essa política monetária que está aí, para que possamos construir período de prosperidade para a classe trabalhadora como um todo”, defendeu. 

Luciano Fetzner, presidente do SindBancários Porto Alegre e Região, lembrou que o Brasil é um Estado forte, com muitas riquezas naturais, mais que suficientes para sustentar o País, além de possuir uma estrutura capaz de proporcionar uma boa vida para todos os cidadãos e cidadãs. “Só que, em paralelo, na contramão de tudo isso, temos a política de juros do Banco Central, que está sabotando a economia brasileira”.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça (12/12) e quarta (13/12). A previsão do próprio BC é de uma nova redução da taxa de juros básica em 0,50%, que com isso deverá passar dos atuais 12,25% para 11,75%. Se confirmada a queda, será o menor nível desde maio de 2022, quando estava em 11,75% ao ano.

Papel da Selic

A taxa básica de juros influencia todas as taxas de juros praticadas em um país, daí o seu papel fundamental na política monetária. “Todos os anos, o governo gasta bilhões com o pagamento de juros da dívida pública. Só nos últimos 12 meses, esse pagamento ultrapassou os R$ 689 bilhões. Claro que os títulos de dívida pública têm uma razão de existir e fazem parte da política de estabilização da moeda, mas, por causa da Selic elevadíssima, o valor que o Estado brasileiro dispende com os títulos é muito grande, retirando recursos que deveriam ir para áreas essenciais como Saúde, Educação, infraestrutura”, completa a economista da subseção do Dieese na Contraf-CUT, Vivian Machado.

Economistas de tendência desenvolvimentista avaliam que uma taxa básica de juros razoável deveria estar no patamar de, pelo menos, um dígito, ou seja, abaixo de 10%. As nações membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 38 países de economias mais avançadas, trabalham com juros básicos muito mais baixos que o brasileiro. Na União Europeia, por exemplo, o índice está em 4%. Entretanto, o Brasil não poderia reduzir a Selic para esse nível por ter moeda menos valorizada.

Entenda

• O Copom, entidade do BC, se reúne por dois dias, a cada 45 dias, para definir a taxa básica de juros do país (Selic). No encontro anterior, em 31 de outubro e 1º de novembro, o índice foi reduzido de 0,50 p.p. n, de 12,75% para 12,25% ao ano.

• Apesar do corte, que levou a Selic ao menor índice desde março de 2022, o Brasil segue com elevadíssima taxa básica de juros e com um dos maiores juros reais (Selic menos a inflação) do mundo.

• Em três anos, sob a presidência de Roberto Campos Neto no BC, a Selic passou de 2% ao ano, em janeiro de 2021, para 13,75% em agosto de 2022 – nível mantido até agosto deste ano quando, finalmente, o Copom deu iniciou ao ciclo de redução do índice.

• A Selic elevada torna empréstimos mais caros às famílias e empresas, desencoraja investimentos e aumenta a dívida do Estado brasileiro com o pagamento de juros dos títulos do Tesouro Nacional.

• Os principais beneficiados com a Selic elevada são os detentores dos títulos da dívida pública, que atualmente são as instituições financeiras.

• Sondagem realizada pelo Dieese mostrou que cada ponto percentual na taxa Selic significa um aumento anual do custo da dívida pública de cerca de R$38 bilhões – valor que deixa de ir para educação, saúde ou infraestrutura.

• Economistas de tendência desenvolvimentista avaliam que uma taxa básica de juros razoável deveria estar no patamar de, pelo menos, um dígito, ou seja, abaixo de 10%.

• Os países da OCDE trabalham com juros básicos muito mais baixos que. Na União Europeia, por exemplo, o índice está em 4%. Entretanto, o Brasil não poderia reduzir a Selic para esse nível por ter moeda menos valorizada.

• A expectativa do mercado, para a reunião do Copom que segue até esta quarta-feira (13/12), é de um novo corte de 0,50 p.p., que levaria a Selic a 11,75%. Mantida esse ritmo de cortes, a taxa alcançaria um dígito apenas no final de 2024.

Veja o vídeo da Contraf-CUT sobre os juros altos.

 

 

 

Fonte: Fetrafi-RS, com informações da Contraf-CUT

 

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