| O sol forte do meio dia, no verão porto-alegrense, não impediu que sindicalistas, funcionários e clientes da agência central da Caixa Econômica Federal se reunissem em frente ao prédio da Praça da Alfândega de Porto Alegre para um ato público com dupla significação.
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Por um lado, comemoraram os 155 anos de fundação do banco, festejada no dia 12 de janeiro. Por outro, alertaram a sociedade para o risco que a instituição de grande importância social está sofrendo hoje, com a tramitação no Senado Federal do Projeto de Lei Suplementar 555/2015, que visa a privatização da Caixa e de outras empresas estatais.
Após saudar o aniversário da instituição, o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, destacou: “Hoje a Caixa Econômica Federal é o único banco inteiramente público no nosso país. Esse projeto de lei 555 abre caminho para a privatização, pelo menos parcial, como já aconteceu com o Banco do Brasil e com o Banrisul. Quando isso acontece, o grande patrão não é mais a sociedade ou o governo mas passa a ser o mercado, que só visa o lucro e precariza as funções sociais do banco”.
Duas lutas
Conforme Gimenis, as entidades de trabalhadores enfrentam neste momento duas lutas em relação à Caixa: “A não privatização da empresa pública e a contratação urgente de mais funcionários, para oferecer um serviço ainda mais qualificado à população e evitar o desgaste e o adoecimento dos colegas da Caixa”.
“Hoje a Caixa trabalha com déficit de empregados”, reforça o diretor Antonio Augusto Borges de Borges. “São três mil funcionários que se aposentaram e cujas vagas não foram preenchidas. Isso provoca filas e atraso no atendimento à população, além de sobrecarregar os trabalhadores”, disse.
Para o sindicalista Guaracy Padilla Gonçalves, também funcionário da instituição, “somente a mobilização dos empregados da Caixa, das entidades de trabalhadores e da sociedade é que vai poder assegurar o caráter social e público do banco que está de aniversário neste momento”.
Primeira linha
Para o diretor financeiro do Sindicato, Paulo Roberto Stekel, os bancários da Caixa Econômica Federal são trabalhadores de um banco de primeira linha. “São colegas que fazem um serviço a favor da população, coisa que não é prioridades para os bancos privados”, disse.
Denise Falkenberg Correia, diretora da Fetraf-Sul e do Sindicato destacou que a Caixa Econômica Federal é a gestora dos programas sociais do governo – como o Bolsa Família. “Mas, além disso, ela zela pelo pagamento de direitos como o FGTS e o PIS/Pasep”, relembra Denise. “E não podemos esquecer que é por seu caráter de banco público que ela é imprescindível como o principal órgão financiador da casa própria dos brasileiros e brasileiras”, concluiu.
A importância estratégica da CEF pública para o país foi enfatizada pela diretora da CUT-RS, Letícia Raddatz, também presente ao ato: “É muito importante lembrar que a crise neoliberal de 2008 só não entrou com a mesma virulência no Brasil porque tínhamos bancos públicos fortes, como a Caixa, que são fatores de segurança para toda a sociedade brasileira”, explicou. “E isso não pode ser perdido”.
Por estas e outras razões, o ex-diretor do Sindicato e atual diretor da Fetrafi-RS, Devanir Camargo, que conduziu o ato, arrematou: “Defender a Caixa é defender o povo brasileiro”.
Batalha no Congresso Nacional
A mobilização contra o PLS 555/2015, que tramita no Senado Federal, envolve o SindBancários, a Fetrafi-RS, a Contraf-CUT e outras entidades de bancários e trabalhadores, com atos em todo o Brasil, nesta terça-feira. A Caixa surgiu em 1861 e está completando 155 anos. Este dia de festa é também um Dia Nacional de Luta, contra este projeto de lei que visa a privatização da Caixa Econômica Federal, Correios, BNDES e outras empresas 100% públicas.
“Este Projeto de Lei 555/2015 segue a lógica neoliberal do estado mínimo, transformando empresas públicas bem sucedidas em negócios lucrativos aos interesses privados”, diz o presidente do Sindicato, Everton Gimenis. “Hoje estamos vendo uma repetição do que aconteceu na década de 90, quando se procurou diminuir a importância social da Caixa para privatizá-la. É necessário que todos os setores progressistas do país se unam para barrar esta proposta que está no Congresso”, reafirma.
Fonte: SindBancários
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